Buffettology: o método Warren Buffet de investir, parte 03

porFernando Pinheiro

Buffettology: o método Warren Buffet de investir, parte 0310 min read

Atenção: a resenha não é um resumo, isto é, não representa uma cópia ou análise fiel da obra referenciada, são apenas comentários e observações do livro, caso queira adquirir a obra na íntegra, clicar neste link: e-book da amazon.

[…] No site acima, pode-se listar as empresas e verificar dados técnicos das mesmas, bem como relatórios personalizados uma a uma com comentário de analistas.

Um caso curioso é que, ainda mais se tratando de análise de empresas, se “puxarmos” qualquer relatório das 10 mais lucrativas empresas do planeta, em termos de valor, a Microsoft certamente irá figurar entre elas.

Particularmente, Warren afirma categoricamente que admira a empresa, em especial seu CEO, Bill Gates, o qual têm afinidade e inclusive amizade, no entanto, como este trabalha em uma área a qual Warren não têm conhecimento que é a informática, diga-se de passagem que Warren até hoje não utiliza computador e ganhou toda a sua fortuna sem o uso deste, portanto, por desconhecimento do ramo, não investe em tal empresa, por não conseguir fazer projeções de lucratividade da mesma.

Atualmente qualquer indivíduo com o uso da Internet pode, em alguns minutos, verificar praticamente todas as informações financeiras das empresas as quais pretende investir, alguns autores afirmam inclusive que esta é a parte mais fácil do processo de investimento, a parte mais difícil, é a de viver com menos do que se ganha e procurar aumentar a renda ou torná-la escalável.

Ela comenta, além do modo pelo qual Warren analisa e escolhe as empresas, um dos autores preferidos dele Sendo Philip Fisher, sendo um de seus melhores livros “Ações comuns, lucros extraordinários”.

A autora afirma que uma das estratégias mais úteis e pouco exploradas é a chamada scutlebut, na qual o pequeno investidor vai pessoalmente tanto na empresa que fabrica o produto quando na loja que revende o produto a fim de obter informações valiosas, muitas das quais, às vezes, nem mesmo estão disponíveis ou refletidas no mercado.

Por exemplo, ela afirma que, certa vez gostaria de investir na empresa Marlboro, da Philip Morris. No entanto, soube que, rapidamente os preços do cigarro haviam abaixado e talvez seja porque estava perdendo para a concorrência ou talvez que a empresa poderia estar em maus lençóis. No entanto com conversa telefônica com um dos responsáveis pela área de investidores, aquilo se tratava de uma estratégia para angariar mais participação no mercado. Com uma visita a uma loja de conveniência, Mary Buffett perguntou ao gerente da loja se a queda do preço do cigarro havia impactado sobre as vendas. O mesmo disse que sim, que as vendas subiram com isso. Antes que o aumento das vendas fossem divulgadas nos relatórios públicos, ela já sabia que o valor da ação iria subir em função das vendas aumentadas.

O mesmo aconteceu com Warren a respeito da GEICO, empresa de seguros, antes de investir quase dois milhões de dólares na empresa há décadas atrás, ele, em uma viagem a Washington DC, teve um “apresentação gratuita” da empresa diretamente com o supervisor da área de investimentos, na sua sala de escritório no sexto andar de um prédio da capital.

Desde então foi uma relação de amor que nunca mais terminou. Na verdade, as ações da GEICO nem mais podem ser compradas individualmente, elas podem ser compradas indiretamente, pois foram incorporadas pela Berkshire Hathaway, cujo dono é o próprio Warren e, cujo sticker da ação pode ser visto aqui: https://www.marketwatch.com/investing/stock/brk. 

Interessante que a autora, com suas próprias palavras, assim como fez Benjamin Graham, o professor de Warren Buffett, citou como o mercado como um todo, na maioria das vezes não consegue refletir o valor real das empresas as quais estão listadas, uma vez que costumam pensar no curto prazo e não a longo prazo.

Cita um exemplo o qual poderia realmente ilustrar como isto acontece: uma estação de ski dá lucros para toda uma família há mais de 30 anos. Quando neva bem e o mercado está bom, faturam cerca de 300 mil dólares no ano, quando neva bem e o mercado está aquecido, podem chegar a faturar 600 mil dólares. No entanto, eventualmente pode não nevar em determinado ano, e com isso a empresa não faturar nada. Só por isso podemos afirmar que a empresa não têm valor?

Pois bem, quando a empresa vai bem e divulga seus relatórios de ganho o preço das ações sobem, mas quando a empresa divulga seus últimos relatórios nos quais revelam zero em vendas o preço da ação despenca. Portanto, não basta ver relatórios para realmente precificar as ações, mas sim entender o negócio em si. Luiz Barsi filho, um dos maiores investidores do Brasil afirma seguir por esta técnica, pois não vende as ações a qual é detentor, mesmo em épocas de baixa. 

A autora afirma que, em sua jornada como investidor, foi normal Warren investir em empresas que tomaram decisões erradas e que, algumas vezes, particularmente interferiu, quando questionado, sobre o futuro da empresa. A autora cita dois casos: no primeiro dele foi quando a GENCO seguros passou de uma empresa a qual vendia seguros para motoristas “qualificados”, isto é, de baixo risco de acidentes para qualquer indivíduo que batesse em sua porta. Em pouco mais de alguns meses, esta mudança de estratégia fez com que a empresa perdesse centenas de milhões de dólares pois o perfil destes novos clientes era de pessoas as quais se acidentavam com mais frequência do que as primeiras, fazendo com que a empresa beirasse à falência. Depois de questionado, Warren disse para o Presidente da empresa que voltasse à política anterior, e basicamente que quantidade não equivale à qualidade. Com isso a empresa se recuperou e continua sendo lucrativa até hoje.

Outro caso foi da empresa American Express, na década de 60, conhecido como o “Escândalo do óleo de salada” https://en.wikipedia.org/wiki/Salad_Oil_scandal do dealer conhecido como Antony de Angelis, o qual conseguiu fortuna ao afirmar que tinha milhares de litros de óleo para o governo americano, dentro de navios atracados no porto, e, como a água não se mistura com óleo, conseguiu enganar os inspetores misturando água com óleo, angariando mais de 160 milhões de dólares em crédito. Ao final, como não conseguiu entregar o produto acordado com o governo Federal Americano, o qual iria utilizar o óleo nas escolas americanas, tal empresário pegou sete anos de cadeia.

Warren, conhecendo o potencial de crescimento vegetativo da American Express, de baixo custo de manutenção, mesmo diante de uma desvalorização que alcançou patamares de 50% das ações, cujo caixa ficou defasado em mais de sessenta milhões de dólares, Warren comprou ainda mais ações neste caso, investindo 40% de todo seu capital em tais ações na época, adquirindo 5% de participação na empresa, conseguindo 10 anos depois vender as mesmas ações com lucro de 20 milhões de dólares. Embora os números sejam grandes para o pequeno investidor, o que chama a atenção, no entanto é a estratégia utilizada, de comprar na baixa e vender na alta, de conhecer a empresa, seu ramo de atuação, seus custos e seu potencial de crescimento, suas projeções e não se deixar iludir pelos números os quais são divulgados pela mídia e relatórios mal confeccionados, com foco no curto prazo.

Fato conhecido da “maneira Warren de investir” é que este não adota um estilo de pulverização do capital em diferentes empresas, isto é o mesmo que dizer que ele não têm um portfólio diversificado de empresas para investir, na verdade, ele refuta esta ideia afirmando que as pessoas investem em dezenas de empresas ao mesmo tempo como alternativa para fugir de sua própria estupidez, no sentido de não conhecer a fundo o negócio o qual estão dispostos a alocar seu capital. Com isso, podemos concluir que ele investe em poucas empresas, ao mesmo tempo que é profundo conhecedor deste negócio tanto intrínseca como extrinsecamente.

Ao contrário de seu instrutor inicial, Benjamin Graham, o qual indicava o investimento em 100 empresas ao mesmo tempo, Warren seguiu os passos do britânico e economista John Keynes, o qual indicava o investimento em apenas 10 empresas, pois o trabalho seria reduzido e faria sentido assim o fazer se bem entendesse da empresa e aplicasse nelas somente se fizesse sentido em termos de lucratividade.

Em um certo momento, Mary Buffett aborda uma estratégia defendida por Warren conhecido como perfect pitch. A qual, conforme é utilizado por grande parte dos investidores de longo prazo, assim como Warren o é, simplesmente é aguardar o momento perfeito de realizar um investimento, no caso, em geral, se trata de momentos os quais as ações estão subvalorizadas, ou com queda repentina no preço das ações devido a uma notícia, fato, aquisição, ou outro evento o qual pode ter impacto grande na mídia, mas que não afeta significativamente a estrutura econômico-financeira da empresa, como montante de dívidas, liquidez corrente e distribuição de dividendos e monopolização de mercado.

A maneira de enxergar os investimentos, segundo Mary Buffett, poderia ser comparada a maneira de um homem olhar sua esposa. Imagine se, a cada semana você resolvesse trocar de mulher porque conseguiu ver atributos melhores, mais atraentes em outro tipo de mulher, como seria sua vida conjugal? ou visto por outro ângulo, imagine se, após decidir-se focar em uma área de estudos, por exemplo medicina, portanto, matricular-se em um curso de medicina e após 4 anos você, após ler uma matéria de jornal que um advogado estava ganhando milhões de dólares trabalhando em uma especialidade você resolvesse abandonar o curso de medicina e fazer direito, e, ainda assim, prestes a terminar o curso percebesse pelo noticiário que alguns brokers, no mercado financeiro de Nova York estavam fazendo dezenas de milhares de dólares ao atuarem no mercado financeiro e depois você migrasse para a carreira financeira, como estaria sua vida profissional neste sentido? O mesmo ele defende para as ações. O que aconteceria com seu portfólio se mês após mês o investidor troca de ações compra e vende ativos? 

Qual tempo teria de conhecer e reinvestir, caso tomasse boa decisão de compra?

Mary afirma que várias empresas boas foram compradas desta maneira inclusive Washington Post, a qual Warren adquiriu na década de 60, empresa a qual ele trabalhou, como entregador de jornais enquanto criança.

Mais de 40 anos depois esta mesma empresa fora adquirida por Bezos, dono da Amazon, por mais de 250 milhões de dólares, porém Warren preferiu não adquirir nenhum centavo desta companhia, percebendo que ela não tinha nenhum plano consistente em minimizar o declínio dos materiais impressos em relação aos conteúdos digitais.  Ao final do livro, Mary Buffett comenta que um dos maiores ganhos de Warren foi ter adquirido empresas de seguradoras, pois estas tinham ótimo fluxo de caixa e grande lucratividade anualmente, foram os primeiros bilhões de Warren adquiridos livres para aquisições de novas empresas oriundas de seguradoras, que o fizeram brilhar no mercado financeiro. Ao término do livro, a autora chama os leitores de buffetologistas, como especialistas do método Warren de investir.

Sobre o Autor

Fernando Pinheiro administrator

Fernando Pinheiro é formado em Administração de Empresas com especialização em Gestão Empresarial. Professor convidado em várias Universidades do Noroeste e Norte do Paraná, montou este blogue sobre Finanças e Investimentos para ajudar a você se tornar mais próspero.

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