Educação Financeira: aprenda a economizar com bom orçamento doméstico

porFernando Pinheiro

Educação Financeira: aprenda a economizar com bom orçamento doméstico8 min read

Aprenda a Economizar com uma boa Gestão do Orçamento Doméstico. Não deixe que seu rico dinheiro seja gasto em coisas que não importam, ou te afastam do controle das finanças.

 

Você já deve ter reparado que é uma falta de etiqueta, falta de informação e capacitação julgar uma pessoa pelas suas roupas. Quantos vendedores se enganam com clientes que, ao entrar em uma loja com roupas simples, estes imaginam que não têm dinheiro para gastar na loja e os tratam de qualquer maneira, às vezes direcionando sua atenção para pessoas que têm aparência mais luxuosa ou de requinte.

Pobres tolos, há uma frase americana que diz: “quanto maior o chapéu menor o gado”, pois ilustra que as aparências enganam.

Nos dias atuais gastamos mais com nossos pares de tênis do que nossos avós gastavam com carros.

A fim de aumentar a consciência sobre os gastos, melhorar a educação financeira, o que também poderíamos chamar de escolhas ou compras inteligentes, devemos fazer algumas perguntas para nós mesmos, como uma reflexão:

Quanto eu tenho gasto com alimentação no último mês? este ultrapassou a média dos últimos três meses? Quanto eu gasto com transporte? minha renda mensal suporta tranquilamente meus gastos nesta área? eu tenho poupado ou investido ao menos 10% de minha renda mensalmente? eu tenho separado uma parte de minha renda para fazer aquilo que gosto, como uma forma de me motivar a continuar trabalhando e gerando riquezas por onde passo?

Estas são algumas perguntas que somente poderemos responder se tivermos em mãos um orçamento doméstico, ainda que básico.

Não há uma receita clássica, final para um orçamento, no entanto, há 5 características básicas que todo bom orçamento doméstico precisa apresentar:

1 – Deve conter ao menos duas colunas: uma de receitas e outra de despesas, e, nas linhas as quais as duas colunas apresentam lançar os itens que pertencem a cada uma das colunas, por exemplo, salários para a coluna de receita e conta de luz, para despesa.

2 – Precisa ser alimentada com certa frequência, de forma ideal, semanalmente, para isso, basta coletar, a cada compra, os recibos e guardar na carteira, a fim de lançar aos finais de semana. Se ficar muito maçante, basta fazer estes lançamentos mensalmente, o que ficar melhor

3 – Ao final de cada coluna, digamos 15 linhas, para cada uma deve haver um total, isto é, qual o total das receitas e qual o total das despesas. A diferença destas colunas irá mostrar como andou seu orçamento mensal, se gastou mais do que ganhou ou se ganhou mais do que gastou, certamente, a meta é que a coluna das receitas seja maior do que a das despesas.

4 – Não se preocupe em criar uma linha da coluna para cada item que comprar, basta categorizar esta planilha com 5 ou 6 grandes áreas como alimentação, moradia, transporte, lazer, saúde e investimentos, por exemplo.

5 – Procure usar a criatividade para acrescentar outros itens que se relacionam com o orçamento doméstico, como por exemplo uma meta de um investimento, meta de itens a realizar durante o ano, alguma experiência a realizar em família ou com amigos.

Cuidado com o orçamento doméstico para não cair no erro: “puxa vida, agora tenho que CONTROLAR cada centavo que gasto, como seu que não sou bom com números não irei nem mesmo começar com isto!”

É o típico erro de pensar tudo ou nada, branco ou preto, arrumando desculpas ao jogar para os extremos.

Àquele que deseja perceber um aumento das economias e investir conscientemente, além de ter quitado praticamente todas as suas dívidas ou reduzí-las a ponto de não mais se tornar um pesadelo ao longo de todos os meses, faz muito sentido tomar as rédeas de seus hábitos e comportamentos de consumo, o que não significa, necessariamente deixar de tomar um café na padaria, fazer uma viagem intermunicipal ao menos uma vez ao mês ou tomar um sorvete com a namorada num sábado a tarde.

É consumir aquilo que realmente importa, tendo plena consciência da utilidade e benefício do item. Esta semana conversando com pessoa bem próxima que assistiu minhas aulas presenciais no ano passado veio até mim e disse: eu iria, por impulso comprar uma TV maior e nova, no entanto, após ouvir você falar de consumo consciente, resolvi adiar alguns dias a compra da TV, mais tarde, mudei de decisão e acabei comprando uma moto, pois esta me traria mais agilidade, velocidade fazendo com que eu realizasse mais coisas em menos tempo, algo que a televisão não poderia fazer, aliás, eu teria pouco tempo para ficar em frente à TV”

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Decisões como a citada acima não incluiu comprar um item de menor valor ou ainda deixar de comprar, pelo contrário, com um orçamento equilibrado e receitas advindas de trabalho honesto, esta pessoa, por meio de consumo consciente resolveu optar por um item mais caro, porém, este item iria trazer mais liberdade de ir e vir, de possibilitar trabalhar mais disposta entre outros benefícios que iriam superar e muito os benefícios da TV, mesmo sabendo que uma televisão hoje traz tantos recursos como um computador.

Outro dado interessante sobre o consumo inteligente, que ultrapassa a barreira daquilo que queremos ou não comprar é a questão da compra pelo inconsciente coletivo.

Como o inconsciente coletivo deteriora nossa educação financeira?

O inconsciente coletivo pode ser definido com um conjunto de escolhas e percepções invisíveis que não dependem somente das nossas próprias escolhas, mas são motivadas pelo desejo de pessoas as quais convivemos proximamente como vizinhos, colegas de trabalho e outras pessoas que habitam na cidade onde vivemos.

Há um estudo científico publicado pela New England Journal of MedicineThe Spread of Obesity in a Large Social Network over 32 Years –  mostrou que há uma tendência maior das pessoas se tornarem obesas dependendo da quantidade de pessoas obesas que a cercam, sejam pais, primos, vizinhos filhos ou amigos mais próximos. Por exemplo o estudo mostrou que as chances de uma pessoa se tornar obesa aumentam 57% se esta tiver um amigo que se tornou obeso em um determinado espaço de tempo. 

Não é incomum vermos certos círculos de amizade ou colegas de trabalho vestindo o mesmo tipo de roupa, ou utilizando os mesmos meios de transporte. Há quem diga que somos a média das cinco pessoas que mais convivem conosco, inclusive em termos de renda. 

“Ok, mas o que isso têm a ver com consumo inteligente?” o estudo reflete que não só que devemos “filtrar nossas amizades” e pessoas as quais convivemos mas, por que não auxiliar a influenciar positivamente as pessoas que nos cercam, em especial se estas demonstrarem interesse no assunto?

Três outros itens válidos a comentar sobre o consumo consciente, que impactam nossa inteligência financeira são:

01 – Realizar orçamentos para a compra de itens de consumo. Parece básico fazer isto, mas quantos de nós seguramos o impulso de comprar imediatamente um item para, somente alguns dias mais tarde, após consultar em pelos menos 3 lojas diferentes, inclusive pela internet,  finalmente optar pela melhor escolha? muitas vezes o item é o mesmo, marca, modelo, versão, apenas o nome do vendedor e nome da loja mudou, mas o preço pode ter apresentado, 10, 20 até mesmo 30% de desconto, não raro encontra-se por descontos ainda maiores, vale a pena.

02 – Diferenciar aquilo que é essencial, básico e do supérfluo, embora estes itens em si possam diferenciar de indivíduo para indivíduo, de acordo com a renda e hábitos de consumo, ainda assim, para cada um destes, um pouco de reflexão não irá atrapalhar na hora das compras, basta fazer a si mesmo as perguntas: isto realmente é necessário comprar agora? não posso aguardar alguns dias? eu preciso deste item pois ele irá me trazer alguma vantagem ou utilidade em meu trabalho ou no dia a dia ou após alguns dias ou meses irei guardá-lo no meu guarda-roupa ou estante para nunca mais usar? perguntas como estas fazem toda a diferença

03 – procurar pagar pelos itens de consumo à vista, realizando tal proeza, pode-se conseguir verdadeiras barganhas, descontos e até meios de pagamentos diferenciados, não raro, encontramos situações de pessoas que vendem casas, apartamentos ou terrenos pela metade do preço inicial para aqueles que têm a habilidade e controle emocional para guardar quantias equivalente. Vale e muito a pena.

Conclusão

Podemos concluir que a Educação Financeira só é completa com uma boa gestão de gastos, dito de outra forma, com bom orçamento doméstico, alinhado a consumo consciente, além de entender os fatores que nos influenciam negativamente como o meio social o qual estamos inseridos. Fique ligado em nossas próximas matérias e se inscreva para recebê-las em seu e-mail.

 

Artigo de livre tradução e adaptação do livro “I will Teach you to be rich” de Ramit Sethi

Sobre o Autor

Fernando Pinheiro administrator

Fernando Pinheiro é formado em Administração de Empresas com especialização em Gestão Empresarial. Professor convidado em várias Universidades do Noroeste e Norte do Paraná, montou este blogue sobre Finanças e Investimentos para ajudar a você se tornar mais próspero.

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