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porFernando Pinheiro

Algumas regras comprovadamente testadas para Liberdade Financeira

Abaixo elencamos 3 fórmulas as quais foram testadas e aplicadas a milhares de pessoas ao redor do mundo as quais, no mínimo, auxiliaram o processo de independência financeira, o que significa, para alguns, a aposentadoria precoce, antes da data prevista do sistema previdenciário nacional. Consulte e veja como elas funcionam.

Quais índices podemos utilizar para alcançar a tão sonhada liberdade financeira?

Uma das principais metas ou objetivos daqueles que se ocupam com a Educação Financeira é a liberdade financeira, mas quais KPI’s ou indicadores podemos utilizar a fim de acompanhar os progressos realizados neste intento?

Seguem alguns dos indicadores mais utilizados por aqueles que se ocupam das finanças pessoais os quais facilitam o percurso, o qual pode, inclusive, ser implementado às já conhecidas planilhas de orçamento doméstico, caso você ainda não tenha visto esta planilha de orçamento, clique aqui.

Há dois ou três indicadores relativos ao orçamento, segue cada um deles com respectiva explicação:

1 – 20/30/50 – neste indicador, voltado para o uso do orçamento, podemos visualizar, primeiramente o n. 20, o qual deve ser utilizado para investimentos, isto é, destinados a compra ou aquisição de ações, participação em empresas, abertura de negócios e outras aplicações que visam o longo prazo, para liquidação futura.

A parcela reservada em relação a 30% da renda é destinada a manter ou melhorar o estilo de vida, como aquisição de um bem ou manutenção daqueles que já faz uso, planos de saúde, assinaturas em geral, enfim, esta categoria funciona como manutenção. Finalmente o 50 significa que 50% de sua renda, somente, deva ser utilizado para pagamento de contas fixas como aluguel, água luz, telefone entre outros.

2 – Regra dos 4% – especificamente sobre quantia a ser acumulado, para fins de aposentadoria, isto é, a fim de obter um rendimento mensal pelo menos igual aquele que recebe atualmente, existe a regra dos 4%. Significa que entre 20 a 30 é a quantia anual que deve economizar de sua renda e, depois, pegar apenas 4% desta renda anualmente. Vamos elencar um exemplo:

Pessoa ganha R$ 25.000,00 reais anuais. R$ 25.000,00 multiplicado por 25 = R$ 625.000,00 – seiscentos e vinte e cinco mil reais. Multiplique estes mesmos seiscentos e vinte e cinco  mil por 0,04, que é o equivalente a 4% e você terá = R$ 25.000,00 isto é, a mesma quantia que precisa hoje para viver. O fundador desta teoria e estilo de vida é o programador canadense aposentado “precocemente” Sr. Mustache

3 – Patrimônio da Independência Financeira – Esta regra, divulgada pelo Gustavo Cerbasi, nos mostra um cálculo parecido com a regra dos 4%, pois é exibido um montante o qual, após acumulado, permite a extração mensal de apenas uma porcentagem para aposentadoria tranquila.

No cálculo abaixo, basta multiplicar os gastos mensais por 12 e dividir por 8% (0,08). Irá aparecer a quantia aproximada a qual, sem muitas alterações na qualidade de vida da pessoa, conseguiria manter o padrão de consumo atual.

Vamos colocar o exemplo de um indivíduo que, num orçamento familiar, gasta R$4.000,00 mensais

 Quanto esta pessoa pode acumular a fim de, sacando uma pequena quantia mensal ainda mantém o capital principal intocável?

Fórmula: PNIF = [12 x Gasto médio mensal]/0,08

PNIF = [12 x 4000]/0,08

PNIF = 600.000

Segundo a regra, esta pessoa precisa acumular R$600.000,00 para manter o mesmo padrão de vida atual, consumindo normalmente, sem subtrair do montante acumulado. Certamente, entre 4 a 5% deste montante anual, contando com juros, não afetará negativamente o patrimônio dele.

Tais regras, simples de dizer são realmente um desafio enorme para cada um, pois algumas foram desenvolvidas em terras estrangeiras, com economia estável e moeda forte, mas não seria empolgante caso fosse muito fácil, concorda?

Estas alternativas fazem sentido quando se sabe que a aposentadoria tradicional, seja por meio do INSS ou por meio da aposentadoria privada, não realiza cálculo como descrito acima no sentido de beneficiar o trabalhador em si, mas sim a coletividade a qual a pessoa pertence, isto é, outras pessoas usuárias do sistema, por isso a importância, referente a última votação do sistema previdenciário no Brasil de aumentar o tempo de contribuição, pois há mais idosos do que jovens trabalhando, portanto, os jovens ou trabalhadores em idade ativa pagam pela aposentadoria dos outros, concorde ou não é fato.

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porFernando Pinheiro

Buffettology: o método Warren Buffet de investir, parte 01

Atenção: a resenha não é um resumo, isto é, não representa uma cópia ou análise fiel da obra referenciada, são apenas comentários e observações do livro, caso queira adquirir a obra na íntegra, clicar neste link: e-book da amazon.


Este livro foi escrito por uma das esposas de um dos filhos de Warren Buffett – Mary Buffet a qual a firma que logo nos primeiros anos de casamento com um de seus filhos já descobrira os segredos de investimentos do maior ícone do mundo da bolsa do mundo, no entanto, fez voto de silêncio, ao menos durante o tempo em que estivesse casada com o moço.

Após o casamento, que parece ter durado 7 anos, ela, em parceria com uma pessoa a qual é bom de cálculos, resolveram publicar a metodologia dele, a qual será elencada resumidamente nos seguintes parágrafos:

 – Ele não se interessa pela média, como a Standard and Poor’s relata mas é um intensivo explorador das empresas individuais a qual investe

 – Procura investir nos tipos de empresa cujos produtos pode entender seja por sua sazonalidade, tipo de mercado etc..( não gosta de investir em empresas as quais apresentam sazonalidade, como companhias aéreas que faturam mais em épocas de férias

 – Em vez de “ficar atirando para todo lado” Warren se concentra em poucas empresas e se torna especialista naquele tipo de negócio/área

 – Procura comprar ações de empresas que detém certo monopólio de mercado por isso é um dos maiores detentores de coca-cola (bebidas/refrigerantes)

 – O melhor tempo para vender as ações é nunca, uma vez que o foco dele é o retorno anual da empresa, numa perspectiva ao menos de 10 anos para frente..

 – O livro mostra que Warren tem uma visão de longo prazo para com a empresa como se realmente fosse – e é/torna – dono da empresa, diferentemente dos técnicos ou maioria dos investidores de Wall Street que preferem atuar no curto prazo…

Curiosamente e com razão, Warren não paga dividendos, uma empresa com mais de 70 anos de idade a Berkshire Hathaway –  BRK-A, a qual pode ser comprado por qualquer home broker de corretora americana, cuja cotação está na casa de $215,00 (julho/2019) recebe em média 20% de valorização todos os anos – há mais de 32 anos – , seus dividendos são gigantescos, apresenta dívida mínima, no entanto não deposita participação para seus acionistas, uma vez que, entre os motivos citados no livro, afirma que a pessoa física individual pagaria, em média 15% de imposto sobre o recebimento, bem como iria diluir seu capital investindo em empresas as quais não remunerariam tão bem quanto Buffett, então ele prefere, como presidente da empresa, reinvestir os dividendos, garantindo, por este modo, a valorização do Ticker.

Em um momento do livro Mary afirma que são três variáveis as quais Warren procura em suas ações:

1 – annual profit, isto é, os dividendos mais somatórios de juros sobre capital bem como eventuais proventos, tal pode ser vistos nos sites de análises como payout anual

2 – Previsão de rentabilidade, este índice pode ser analisado com o fluxo de caixa da empresa, histórico de lucros, e endividamento, o que torna possível sim, prever se continuará lucrativa ou não.

3 – Preço da ação.

A autora faz algumas simulações para exemplificação a fim de demonstrar como o preço determina/influencia sobremodo a compra ou venda do ativo. Afirma que quanto menor o preço do ativo – share – maior o retorno e quanto maior o preço do ativo, menor o retorno, isso quando falamos sobre aquelas empresas que pagam dividendos. Há casos de empresas as quais não pagam dividendos, mas que, em contra partida, espera-se um crescimento exponencial no futuro, compensando o investidor no caso da venda do ativo. 

De maneira sábia Mary afirma que o investidor consciente compra ações baseado em uma perspectiva de negócio, assim como quando ocorrem fusões de uma empresa com a outra, a parte que compra uma empresa procura um aumento de sua renda anual com o faturamento desta empresa incorporada, diferentemente daqueles investidores que compram por pura especulação, a qual faz com que estas mesmas pessoas comprem por esperança. a existência da especulação no mercado explica os diferentes preços de ações, às vezes baixo, por frustrações ou baixas perspectivas, às veze alto demais por esperanças demasiadas ou inflações artificiais.

Assim como os gerentes de contas bancárias ganham na venda de produtos bancários, quanto mais altos os produtos a serem vendidos a seus clientes melhor, assim os gerentes o responsáveis das corretoras também procuram “vender” os produtos de corretora para os pequenos e grandes investidores, pois assim ganham em comissões.

No entanto, o foco do investidor não deve ser movimentar em comprar e vender freneticamente seus ativos, mas simplesmente saber o que comprar e pagar o preço. O próximo passo é receber as gratificações a nível anual.

A autora comenta que, se tivéssemos colocado 500 dólares na Berkshire a 32 anos atrás, hoje teríamos mais de 100 mil dólares, logicamente este cheque não iria chegar em sua porta, nem mesmo o imposto seria cobrado do investidor, caso permanecesse este investimento com a Berkshire. O imposto é cobrado imediatamente, assim que “sacado” o dinheiro da corretora.

A autora comenta algo o qual podemos ver os efeitos “catastróficos” do hábito de economizar anos a fio e perder a noção em deixar de usufruir um conforto merecido em torno de algumas centenas de dólares a mais:

Warren anda, mesmo após os 60 anos de idade em um carro relativamente velho na cidade de nascença e mora na mesma casa simples há mais de 40 anos…

Mary diz que na Washington PostGEICO, Warren conseguiu, por mais de quinze anos, rentabilidades de 15 a 20% ao ano, independente da troca de presidentes.

Algo bem interessante em termos de rendimento via payout ratios, onde o dividend yeld está presente é o que a Mary comenta no livro que, onde menor o preço a se pagar na ação, a tendência do rendimento será maior e o contrário também é verdadeiro, onde maior o preço a se pagar na ação, menor será o payout ao longo dos anos. Por exemplo, numa postagem do Guiainvest alguns dias atrás, houve um dado onde Warren, se não me falha a memória conseguiu 150% de rendimentos em uma determinada ação, isto porque, quando ele comprou aquela ação por alguns centavos, a mesma já pagava na casa de 10% de dividendos anuais, acontece que a precificação da empresa aumentou significativamente, lhe dando, 10 anos mais tarde 3 ou 4 reais de rendimentos anuais, o que significa, dentro do preço pago vários anos antes, um rendimento muito superior ao preço pago pela ação…

Algo muito interessante, divisor de águas para Warren, que determina se ele investe em uma determinada empresa ou não é o tipo de mercado ao qual esta está inserida. Há dois tipos de empresas a se investir neste cenário, as quais podem ser denominadas:

  1. Empresas de consumo: as empresas de consumo, como o próprio nome diz, são empresas as quais têm como foco o consumidor final, identificáveis como aquelas as quais apresentam muita concorrência no mercado, cujo fator determinante, na escolha do consumidor, será o preço. Também conhecidas como low costs (aviação?) as empresas com políticas de preços baixos, terão margens de lucros pequenas, terão de criar frequentemente novos produtos, alterar a forma de apresentação das marcas, modificar embalagens e, portanto investir em propaganda, a fim de manter um nível aceitável de vendas, o que resultará em uma remuneração por ação moderada ou modesta para o investidor. Warren evita tais empresas. Continua>>>
porFernando Pinheiro

Buffettology: o método Warren Buffet de investir, parte 02

Atenção: a resenha não é um resumo, isto é, não representa uma cópia ou análise fiel da obra referenciada, são apenas comentários e observações do livro, caso queira adquirir a obra na íntegra, clicar neste link: e-book da amazon.

b) Empresas de monopólio: como o próprio nome diz, as empresas de monopólio, ao contrário das empresas tipicamente de consumo, não precisam brigar por clientes, apresentar preços competitivos, pois estas são únicas no mercado (Coca-Cola?). Alguns exemplos cujas empresas estão no portfólio atual de Warren são a Coca Cola e a Apple. No entanto, várias outras empresas norte americanas, por exemplo poderiam ser consideradas monopólios, por terem em suas carteiras uma grande fatia de mercado como o Bank o America, (BAC), a Google, Facebook, VISA, Mastercard, no Brasil podemos citar, COPEL empresa pública que monopoliza a entrega de energia elétrica, Sanepar, empresa que monopoliza a entrega de água entre outras. Dessa forma a rentabilidade anual dificilmente cairá, podendo este tipo de empresa continuar, com certa previsibilidade, altas taxas de payouts.

 Um dado interessante escrito por Mary é que o mestre de Warren Benjamin Graham, comentou certa vez um estudo realizado no qual uma empresa cresce à proporção que retém os lucros para si, subtraídos os lucros divididos aos acionistas por meio dos dividendos, por exemplo, se a empresa cresce a 12% ao ano, paga 8% de dividendos anuais aos acionistas, esta mesma empresa irá crescer, portanto, 4% ao ano; no entanto Warren, em seus estudos posteriores, percebeu que em sua grande maioria, as empresas não faziam, de fato este caminho, crescendo muito pouco ou somente mantinham seu status ao longo do tempo. Em outras palavras, os acionistas da maioria das empresas tinham dificuldade enorme de crescer, ampliar seu portfólio.

Nesta mesma linha, Warren evitava empresas as quais tinham ganhos esporádicos, focava nas empresas as quais tinham ganhos consistentes, ano após ano. Isto têm o lado positivo e negativo, cada pequeno investidor pode conhecer o seu perfil de investimentos ou o tipo de portfólio que deseja construir ou manter a fim de seguir ou não esta dica de Warren, por exemplo, investir em suas empresas Berkshire Hathaway, pode ser vantajoso para quem quer, a certo modo, aumento de capital, somente, uma vez que a empresa citada não distribui os dividendos, incorporando-a a si mesma, mas não tão vantajoso a um terceiro o qual quer construir uma renda passiva vitalícia, o que se dá por meio dos dividendos pagos das ações, para isso ele deve investir naquelas que distribuem o capital, independentemente do crescimento anual.

Uma das estratégias de negócio em si as quais o mestre dos investimentos usa para investir é procurar empresas as quais não necessita, de fato ampliar a carteira de produtos ou comprar mais máquinas para crescer, mas sim apenas expandir para novos territórios dado o core do negócio ser lucrativo em si ou visando o crescimento adquirindo novos negócios/concorrentes.

3 São os detalhes os quais fizeram Warren investir seu dinheiro em algumas empresas americanas e estrangeiras:

  1. empresas as quais são altamente lucrativas, com bom e permanente fluxo de caixa
  2. estas mesmas empresas as quais conseguem manter os lucros para si, em vez de distribuir profusamente gastar estes lucros
  3. empresas as quais, em seu modelo de negócio, não precisem gastar seus lucros para repor/manter seu produto ou serviço em funcionamento.

Corroborando argumentos já colocados nos tópicos acima, um dos tipos de empresa a investir o qual Warrent usaria, seria aquela onde os usuários usam e descartam rapidamente, devido a necessidade, tais como Gillete para homen ou absorvente para mulher, uma vez que, independentemente de crises, estações do ano ou outra sazonalidade, o fluxo de caixa permanece praticamente constante.

 A autora dá exemplo de como a concorrência, a briga entre preços destrói o pequeno investidor, ela disse que há alguns anos o preço de uma passagem aérea de oklahoma para Paris era de 1000 dólares e, embora nos últimos 30 anos os custos com combustível, mecânica, seguros, manutenção tenha aumentado 4x, o preço caiu para 500 dólares. Bom para o consumidor, terrível para o investidor.

Empresas as quais ficam na memória do consumidor, como Hershey’s chocolates https://www.marketwatch.com/investing/stock/hsy, Coca-Cola entre outros. A autora mostra que o portfólio do investidor tende a ser um reflexo das empresas que mais têm lucratividade no ramo em que atua, por exemplo uma farmácia têm que ter Doril, Dorflex, Gillete, Rexona, uma supermercado têm de possuir os produtos da Unilever e Proctor e Gamble.

Nesta linha de raciocínio, Warren investe nas empresas que têm grande marca à frente, uma vez que, por exemplo, a farmácia ou supermercado, caso deixe de vender os produtos das grandes marcas, entrará em falência, já a marca em si continuará tendo lucratividade, em função do trabalho realizado sobre seu branding.

Logo após esta explanação, a autora do livro relata sobre a questão do marketing, sobre campanhas de Televisão, shows e rádio como veículo para que as marcas venham a ser disputadas entre os clientes. Basicamente, a mídia é o campo de batalha entre as marcas, vencendo aquela que têm maior participação do mercado. Mary Buffett afirma que, no método Warren, ele investe consistentemente, em especial nas capitais, nos produtos de sua holding, dizendo que há, no momento da confecção do livro, aproximadamente 67 companhias de televisão a se explorar neste sentido.

Interessante que no livro a autora mostra uma das maiores empresas de Mídia no mundo,a Interpuplichttps://www.interpublic.com/, no site da empresa, assim como no livro, podemos verificar que a empresa é detentora de centenas de afiliadas espalhadas pelo mundo todo, em especial agências de marketing que desenvolvem campanhas de marketing digital, televisiva, entre outras, em termos de funcionários, é a maior do mundo, com 54000 empregados, cuja propriedade, Warren, conhecendo o potencial único deste tipo de ramo de serviço, adquiriu participação de 17%.

Outro tipo de negócio que Warren aplica, dada a sua baixa volatilidade, mesmo em épocas de crises, as quais, inclusive, geram dividendos para os detentores mesmo quando seus clientes estão “inadimplentes” são as bandeiras de cartão de crédito, como a American Express, https://www.marketwatch.com/investing/stock/axp, cujas ações estavam $100,00 (cem dólares) em 2018 e passaram a $120,00 (cento e vinte) dólares em 2019, um aumento de 20%!, além disso, este tipo de empresa não precisa pagar por altos salários a seus funcionários, pois exigem baixa formação técnica para tal, bem como, não necessitam de altos investimentos para manter e expandir a estrutura de recebimento/fluxo de caixa.

A autora comenta que, segundo a época de lançamento do livro, a melhor maneira de descobrir se era possível ou não investir em uma empresa, era descobrir seus relatórios anuais, balanços. A autora recomenda algumas medidas as quais estão desatualizadas outras nem tanto, por exemplo, recomenda ligar para as empresas solicitando gratuitamente os relatórios ou balanços anuais, bem como visualizar a revista Smart Money. Acontece que a revista foi incorporada há anos no site MarketWatch.com e, com rápida pesquisa no Google, se a empresa tiver ações disponíveis ao público, todas as informações de balanço poderão ser acessadas, devido à lei que obriga a divulgação para empresas de companhia aberta. No entanto, há empresas as quais fazem trade com suas ações, porém não são públicas, neste caso, ainda que consiga fazer uma ligação telefônica para tal empresa, ela não será obrigada a lhe fornecer qualquer tipo de informação quanto aos preços das ações, distribuição de dividendos e crescimento anual, por exemplo.

Dentro deste tema de pesquisa sobre qual ação investir a autora dá uma dica valiosa, em especial para aqueles que querem manter uma carteira dolarizada, isto é, com ativos em dólar, o que é interessante para quando o real estiver desvalorizado em relação ao dólar,a fim de deixar a carteira mais balanceada.

É conhecer a Value line Investment Survey,  a qual, na época, era uma revista que publicava periodicamente um estudo de 1700 empresas na Bolsa de Nova York, Nasdaq e outros bolsas americanas, juntas, estas empresas formavam mais de 95% de todas as transações do mercado financeiro americano. Interessante que esta revista está viva até hoje, mas não no formato impresso, como na época, mas sim no formato digital, por meio deste site: https://www.valueline.com/, como o próprio site afirma, é uma empresa que está ativa há mais de 80 anos, cobrindo com avaliações as empresas indicadas ao investimento. Apresentam-se como uma companhia independente, sem viés, cujos mais de 70 auditores e analistas não podem aplicar nas próprias ações que recomendam, segundo as melhores políticas de casa de investimento do mundo. Continua>>>

porFernando Pinheiro

Buffettology: o método Warren Buffet de investir, parte 03

Atenção: a resenha não é um resumo, isto é, não representa uma cópia ou análise fiel da obra referenciada, são apenas comentários e observações do livro, caso queira adquirir a obra na íntegra, clicar neste link: e-book da amazon.

[…] No site acima, pode-se listar as empresas e verificar dados técnicos das mesmas, bem como relatórios personalizados uma a uma com comentário de analistas.

Um caso curioso é que, ainda mais se tratando de análise de empresas, se “puxarmos” qualquer relatório das 10 mais lucrativas empresas do planeta, em termos de valor, a Microsoft certamente irá figurar entre elas.

Particularmente, Warren afirma categoricamente que admira a empresa, em especial seu CEO, Bill Gates, o qual têm afinidade e inclusive amizade, no entanto, como este trabalha em uma área a qual Warren não têm conhecimento que é a informática, diga-se de passagem que Warren até hoje não utiliza computador e ganhou toda a sua fortuna sem o uso deste, portanto, por desconhecimento do ramo, não investe em tal empresa, por não conseguir fazer projeções de lucratividade da mesma.

Atualmente qualquer indivíduo com o uso da Internet pode, em alguns minutos, verificar praticamente todas as informações financeiras das empresas as quais pretende investir, alguns autores afirmam inclusive que esta é a parte mais fácil do processo de investimento, a parte mais difícil, é a de viver com menos do que se ganha e procurar aumentar a renda ou torná-la escalável.

Ela comenta, além do modo pelo qual Warren analisa e escolhe as empresas, um dos autores preferidos dele Sendo Philip Fisher, sendo um de seus melhores livros “Ações comuns, lucros extraordinários”.

A autora afirma que uma das estratégias mais úteis e pouco exploradas é a chamada scutlebut, na qual o pequeno investidor vai pessoalmente tanto na empresa que fabrica o produto quando na loja que revende o produto a fim de obter informações valiosas, muitas das quais, às vezes, nem mesmo estão disponíveis ou refletidas no mercado.

Por exemplo, ela afirma que, certa vez gostaria de investir na empresa Marlboro, da Philip Morris. No entanto, soube que, rapidamente os preços do cigarro haviam abaixado e talvez seja porque estava perdendo para a concorrência ou talvez que a empresa poderia estar em maus lençóis. No entanto com conversa telefônica com um dos responsáveis pela área de investidores, aquilo se tratava de uma estratégia para angariar mais participação no mercado. Com uma visita a uma loja de conveniência, Mary Buffett perguntou ao gerente da loja se a queda do preço do cigarro havia impactado sobre as vendas. O mesmo disse que sim, que as vendas subiram com isso. Antes que o aumento das vendas fossem divulgadas nos relatórios públicos, ela já sabia que o valor da ação iria subir em função das vendas aumentadas.

O mesmo aconteceu com Warren a respeito da GEICO, empresa de seguros, antes de investir quase dois milhões de dólares na empresa há décadas atrás, ele, em uma viagem a Washington DC, teve um “apresentação gratuita” da empresa diretamente com o supervisor da área de investimentos, na sua sala de escritório no sexto andar de um prédio da capital.

Desde então foi uma relação de amor que nunca mais terminou. Na verdade, as ações da GEICO nem mais podem ser compradas individualmente, elas podem ser compradas indiretamente, pois foram incorporadas pela Berkshire Hathaway, cujo dono é o próprio Warren e, cujo sticker da ação pode ser visto aqui: https://www.marketwatch.com/investing/stock/brk. 

Interessante que a autora, com suas próprias palavras, assim como fez Benjamin Graham, o professor de Warren Buffett, citou como o mercado como um todo, na maioria das vezes não consegue refletir o valor real das empresas as quais estão listadas, uma vez que costumam pensar no curto prazo e não a longo prazo.

Cita um exemplo o qual poderia realmente ilustrar como isto acontece: uma estação de ski dá lucros para toda uma família há mais de 30 anos. Quando neva bem e o mercado está bom, faturam cerca de 300 mil dólares no ano, quando neva bem e o mercado está aquecido, podem chegar a faturar 600 mil dólares. No entanto, eventualmente pode não nevar em determinado ano, e com isso a empresa não faturar nada. Só por isso podemos afirmar que a empresa não têm valor?

Pois bem, quando a empresa vai bem e divulga seus relatórios de ganho o preço das ações sobem, mas quando a empresa divulga seus últimos relatórios nos quais revelam zero em vendas o preço da ação despenca. Portanto, não basta ver relatórios para realmente precificar as ações, mas sim entender o negócio em si. Luiz Barsi filho, um dos maiores investidores do Brasil afirma seguir por esta técnica, pois não vende as ações a qual é detentor, mesmo em épocas de baixa. 

A autora afirma que, em sua jornada como investidor, foi normal Warren investir em empresas que tomaram decisões erradas e que, algumas vezes, particularmente interferiu, quando questionado, sobre o futuro da empresa. A autora cita dois casos: no primeiro dele foi quando a GENCO seguros passou de uma empresa a qual vendia seguros para motoristas “qualificados”, isto é, de baixo risco de acidentes para qualquer indivíduo que batesse em sua porta. Em pouco mais de alguns meses, esta mudança de estratégia fez com que a empresa perdesse centenas de milhões de dólares pois o perfil destes novos clientes era de pessoas as quais se acidentavam com mais frequência do que as primeiras, fazendo com que a empresa beirasse à falência. Depois de questionado, Warren disse para o Presidente da empresa que voltasse à política anterior, e basicamente que quantidade não equivale à qualidade. Com isso a empresa se recuperou e continua sendo lucrativa até hoje.

Outro caso foi da empresa American Express, na década de 60, conhecido como o “Escândalo do óleo de salada” https://en.wikipedia.org/wiki/Salad_Oil_scandal do dealer conhecido como Antony de Angelis, o qual conseguiu fortuna ao afirmar que tinha milhares de litros de óleo para o governo americano, dentro de navios atracados no porto, e, como a água não se mistura com óleo, conseguiu enganar os inspetores misturando água com óleo, angariando mais de 160 milhões de dólares em crédito. Ao final, como não conseguiu entregar o produto acordado com o governo Federal Americano, o qual iria utilizar o óleo nas escolas americanas, tal empresário pegou sete anos de cadeia.

Warren, conhecendo o potencial de crescimento vegetativo da American Express, de baixo custo de manutenção, mesmo diante de uma desvalorização que alcançou patamares de 50% das ações, cujo caixa ficou defasado em mais de sessenta milhões de dólares, Warren comprou ainda mais ações neste caso, investindo 40% de todo seu capital em tais ações na época, adquirindo 5% de participação na empresa, conseguindo 10 anos depois vender as mesmas ações com lucro de 20 milhões de dólares. Embora os números sejam grandes para o pequeno investidor, o que chama a atenção, no entanto é a estratégia utilizada, de comprar na baixa e vender na alta, de conhecer a empresa, seu ramo de atuação, seus custos e seu potencial de crescimento, suas projeções e não se deixar iludir pelos números os quais são divulgados pela mídia e relatórios mal confeccionados, com foco no curto prazo.

Fato conhecido da “maneira Warren de investir” é que este não adota um estilo de pulverização do capital em diferentes empresas, isto é o mesmo que dizer que ele não têm um portfólio diversificado de empresas para investir, na verdade, ele refuta esta ideia afirmando que as pessoas investem em dezenas de empresas ao mesmo tempo como alternativa para fugir de sua própria estupidez, no sentido de não conhecer a fundo o negócio o qual estão dispostos a alocar seu capital. Com isso, podemos concluir que ele investe em poucas empresas, ao mesmo tempo que é profundo conhecedor deste negócio tanto intrínseca como extrinsecamente.

Ao contrário de seu instrutor inicial, Benjamin Graham, o qual indicava o investimento em 100 empresas ao mesmo tempo, Warren seguiu os passos do britânico e economista John Keynes, o qual indicava o investimento em apenas 10 empresas, pois o trabalho seria reduzido e faria sentido assim o fazer se bem entendesse da empresa e aplicasse nelas somente se fizesse sentido em termos de lucratividade.

Em um certo momento, Mary Buffett aborda uma estratégia defendida por Warren conhecido como perfect pitch. A qual, conforme é utilizado por grande parte dos investidores de longo prazo, assim como Warren o é, simplesmente é aguardar o momento perfeito de realizar um investimento, no caso, em geral, se trata de momentos os quais as ações estão subvalorizadas, ou com queda repentina no preço das ações devido a uma notícia, fato, aquisição, ou outro evento o qual pode ter impacto grande na mídia, mas que não afeta significativamente a estrutura econômico-financeira da empresa, como montante de dívidas, liquidez corrente e distribuição de dividendos e monopolização de mercado.

A maneira de enxergar os investimentos, segundo Mary Buffett, poderia ser comparada a maneira de um homem olhar sua esposa. Imagine se, a cada semana você resolvesse trocar de mulher porque conseguiu ver atributos melhores, mais atraentes em outro tipo de mulher, como seria sua vida conjugal? ou visto por outro ângulo, imagine se, após decidir-se focar em uma área de estudos, por exemplo medicina, portanto, matricular-se em um curso de medicina e após 4 anos você, após ler uma matéria de jornal que um advogado estava ganhando milhões de dólares trabalhando em uma especialidade você resolvesse abandonar o curso de medicina e fazer direito, e, ainda assim, prestes a terminar o curso percebesse pelo noticiário que alguns brokers, no mercado financeiro de Nova York estavam fazendo dezenas de milhares de dólares ao atuarem no mercado financeiro e depois você migrasse para a carreira financeira, como estaria sua vida profissional neste sentido? O mesmo ele defende para as ações. O que aconteceria com seu portfólio se mês após mês o investidor troca de ações compra e vende ativos? 

Qual tempo teria de conhecer e reinvestir, caso tomasse boa decisão de compra?

Mary afirma que várias empresas boas foram compradas desta maneira inclusive Washington Post, a qual Warren adquiriu na década de 60, empresa a qual ele trabalhou, como entregador de jornais enquanto criança.

Mais de 40 anos depois esta mesma empresa fora adquirida por Bezos, dono da Amazon, por mais de 250 milhões de dólares, porém Warren preferiu não adquirir nenhum centavo desta companhia, percebendo que ela não tinha nenhum plano consistente em minimizar o declínio dos materiais impressos em relação aos conteúdos digitais.  Ao final do livro, Mary Buffett comenta que um dos maiores ganhos de Warren foi ter adquirido empresas de seguradoras, pois estas tinham ótimo fluxo de caixa e grande lucratividade anualmente, foram os primeiros bilhões de Warren adquiridos livres para aquisições de novas empresas oriundas de seguradoras, que o fizeram brilhar no mercado financeiro. Ao término do livro, a autora chama os leitores de buffetologistas, como especialistas do método Warren de investir.