Vantagens e desvantagens em investir em Bitcoin

porFernando Pinheiro

Vantagens e desvantagens em investir em Bitcoin9 min read

Embora esteja no mercado há mais de 10 anos, o Bitcoin têm chamado a atenção de investidores pequenos e institucionais devido a sua valorização crescente, no entanto, como qualquer outro ativo, ele possui algumas desvantagens e riscos os quais irei pormenorizar neste artigo.

Por que investir em Bitcoin?

São vários os motivos pelos quais levam as pessoas optarem em postergar o usufruto de seu dinheiro para um futuro, colocando-o nesta criptomoeda, em todo caso. As razões pelas quais elas se decidem a fazê-lo fazem parte dos benefícios e vantagens em investir em Bitcoin; portanto, vamos citar alguns deles:

1 – Alta liquidez.

Ninguém quer colocar seu suado dinheiro em um ativo e não conseguir liquidá-lo em um futuro, encontrando problemas para tal, um dos maiores medos e não encontrar quem queira comprá-lo, quanto isso, pode ficar tranquilo em relação ao Bitcoin, pois, recentemente, o mercado de criptomoedas alcançou a marca de 1 trilhão de dólares em circulação no mundo, conforme os dados da coinmarketcap.com

 

 

 

 

 

 

 

 

fonte: coinmarketcap.com

O Bitcoin, sozinho, representa 58% deste mercado, ou seja, mais de meio trilhão de dólares em circulação, sendo o principal ativo de troca nas corretoras, o que nos responde a segunda questão, caso tenham feito, que é onde comprar o ativo. As maiores  que utilizo corretoras são a Binance e a Bitmax.

2 – Rapidez nas transações

O Bitcoin em si não considero tão rápido no envio e recebimento dos ativos, o que demora em média 10 minutos, no entanto, uma vez com conta aberta nas corretoras de criptomoedas, já dentro do mundo da blockchain, prefiro converter este ativo em XRP (Ripple) ou TRX (Tron) cujas transferências são bem mais rápidas e baratas, sendo alguns centavos de dólares por transação e alguns segundos para o ativo sair da carteira A para carteira B.

Dito por outras palavras, independente de como conseguiu o Bitcoin, seja por causa de suas reservas financeiras, doação, venda de algum item que não mais utiliza, salário, quando se tratar de transferir de uma conta para outra, interessante convertê-lo primeiro para um dos ativos citados acima, para economizar na transação e logo em seguida converter novamente para BTC caso queira.

3 – Diminuição de intermediários diretos.

Como qualquer outro ativo na blockchain, a ideia principal é a não interferência de terceiros na transação, isto é, o ativo é transferido diretamente de A para B, sem a necessidade, por exemplo, de um banco ou de uma empresa que converta a moeda, quando passa de um país para outro. Lembramos que isto não significa que a transação será invisível, pois ativos como bitcoin deixam rastros, seja na própria blockchain, que é uma espécie de livro de contabilidade em nuvem, mostrando a carteira de quem envia e de quem recebe, seja nas próprias corretoras, ligadas ao Sistema Financeiro Nacional, nas quais, de uma ou outra forma, o Bitcoin será convertido em fiat money, em dinheiro.

4 – Taxas baratas

Como complemento do citado acima, da velocidade e da diminuição de intermediários, as taxas são, consecutivamente, mais baratas. Quando estava morando fora do país, por exemplo, era comum pagar uma taxa de R$100,00 para realizar um saque de uma conta localizada no Brasil nos Estados Unidos, em dólares americanos. Caso eu tivesse uma conta em uma exchange americana, e pudesse enviar a criptomoeda de uma corretora no Brasil, a taxa seria zero, não pagaria nada para isso.

5 – Descentralização

Principalmente na área financeira, mas também como ocorreu na área do entretenimento, notícias, as grandes empresas eram centralizadas com um grupo de pessoas decidindo como e quando o conteúdo, produto ou serviço seria distribuído, com o advento da blockchain os negócios estão se tornando descentralizados, realizados em cadeia, com validadores espalhados o mundo todo, cujas aplicações estão sendo programadas para serem realizadas automaticamente, sem a interferência humana.

Uma outra forma de explicar esta descentralização é citar por exemplo, o que aconteceria se um determinado governo central declarasse ilícito ou ilegal a posse do Bitcoin, como ocorre em poucos países do mundo.

Um líder governamental talvez gostasse da ideia do banimento definitivo ou talvez a exclusão do ativo, de uma só vez. Isso se torna impossível no cenário atual, uma vez que existem milhares de computadores fabricando este ativo e, possivelmente, enquanto existir a Internet e um computador ligado a Internet alguém pode receber este ativo.

Outra forma de visualizar a descentralização é que as corretoras as quais permitem a compra e venda do Bitcoin funcionam 24 horas, de domingo a domingo, muito porque, algumas delas são descentralizadas, rodando dentro da blockchain, automatizadas, com mínimo de interferência humana, diferentemente das corretoras tradicionais cujas ordens de compra e venda muitas vezes devem ser intermediadas por um broker, um profissional do mercado financeiro.

6 – Suprimento limitado, deflação

O bitcoin foi programado para que um número limitado de unidades ficasse em circulação no mundo, apenas 21 milhões de unidades. Isso não foi egoísmo ou coisa do tipo, uma vez que, como cada bitcoin pode ser dividido em até 100 milhões de vezes, que, certamente, bem divididos, daria para cada pessoa na Terra ter sua própria quantia de BTC. Veja uma imagem abaixo do site spectrocoin a qual mostra que cada fração do Bitcoin têm um nome específico, desde o Satoshi, passando pelo Mili Bitcoin até o Mega bitcoin:

fonte: spectrocoin.com

Ao contrário dos governos centrais, os quais imprimem dinheiro “à reveria”, loucamente, causando inflação nos países, pois pela lei da oferta e demanda, quanto mais de um ativo está disponível mais ele se torna barato, o Bitcoin, de forma programada, têm quantidade limitada no mercado, causa automaticamente a sua valorização, o que, de um certo ponto de vista, é um benefício, pois a cada dia pode-se comprar mais coisas com uma fração do Bitcoin, o que, infelizmente, ocorre de maneira contrária com o real principalmente, onde a cada dia temos que dispor de quantidade cada vez maior para comprar os mesmos itens, como a cesta básica de alimentos.

Pontos negativos, desvantagens

1 – Irreversibilidade nas transações

Embora para muitos esta característica das operações, como compra, venda e transferência do Bitcoin serem irreversíveis, isto é, impossíveis de serem desfeitas geram uma espécie de transparência e maturidade do bitcoin, veja pelo lado das pessoas que se arrependem de comprá-lo ou de transferi-lo, ou até mesmo quando o fazem por engano: basicamente não têm como reverter a situação, a menos que seja ativado uma terceira parte como uma ação judicial ou algo do tipo, o que irá depender, portanto, de uma avaliação pericial.

2 – Impossibilidade de recuperação de chave criptografada

Outra característica que pode ser elencada como uma desvantagem, bem explícita por diversas corretoras quando um cliente abre uma conta, é que, caso este venha a perder as chaves de acesso a conta, estas não podem ser recuperadas pelo cliente.

Isso não ocorre em 100% dos casos, por exemplo, o acesso à conta da Binance cada cliente pode recuperar o login e senha, pois, na verdade, o cliente não têm acesso real a sua carteira, ela é armazenada na corretora a qual faz gestão da carteira. Existem as chamadas carteiras frias, isto é, aquelas que não estão conectadas à Internet, nem mesmo à blockchain diretamente, um dos exemplos podemos citar a Ledger ou a Trezor, desta forma sim, caso você venha armazenar seus cripto ativos neste hardware e venha a perdê-lo, ou a senha que dá acesso a ele, pode ser difícil ou mesmo impossível recuperar.

 

3 – Grandes flutuações do mercado

Embora para alguns este possa ser um motivo de comemoração, em especial para os traders, os quais compram e vendem o ativo no curto e no curtíssimo prazo, para um investidor de longo prazo pode não ser uma boa as grandes flutuações e volatilidade do mercado, uma vez que, quando chegar a data de venda do ativo ou transferência do mesmo,  este pode estar até 30% a menos do valor adquirido, como se pode ver nos gráficos históricos do preço do Bitcoin.

 

fonte: tradingview.com

Na imagem ao lado  vemos uma desvalorização de quase 20% do ativo em menos de 15 dias, dentro do mês de março de 2021, descendo de 61 mil para 52 mil dólares.

4 – Baixa aceitação do mercado

Embora esteja se tornando cada vez mais popular, não é possível, ainda mais em mercados emergentes, sair por aí e gastar Bitcoin como quem vai à feira com dinheiro à vista ou mesmo ir a um mercado com um cartão de crédito, são poucas as empresas que aceitam este ativo com facilidade. Alguns esforços estão sendo realizados por corretoras, por exemplo, em disponibilizar um cartão de crédito cujo saldo está resguardado no valor em ativos na conta desta mesma corretora, o que pode facilitar o uso e liquidez do ativo, mas ainda é um cenário incipiente.

5 – Pouca regulação do mercado

Como todo e qualquer produto ou serviço novo no mercado, gera-se muita especulação e oportunismo, sendo veiculado na mídia o Bitcoin como integrante de fraudes, pirâmides financeiras e ator no mundo da ilicitude e corrupção, isto não se deve à baixa regulação, no meu ponto de vista, mas sim ao oportunismo de alguns e fragilidade de outros, ocorrendo mais fraudes e ilicitudes com dinheiro convencional, fiat money do que com cripto ativos.

Não há proibição, taxativamente, de gerar criptomoedas, por meio da mineração ou aquisição por meio de corretoras, as quais são fielmente reguladas e fiscalizadas pelos agentes do sistema financeiro nacional, aqui no Brasil, em 1º de agosto de 2019, houve uma instrução normativa, 1.888 da Receita Federal, anunciada em maio do mesmo ano, toda corretora que trabalhe com a negociação de criptomoedas – seja bitcoin ou qualquer altcoin – terá a obrigação de informar ao Fisco os dados de todas as transações de seus clientes.

Essa normativa é válida para pessoas jurídicas e pessoas físicas que movimentam mais de R$ 30 mil em criptomoedas num período de um mês.

Conclusão

Com os devidos apontamentos expostos, creio ser muito vantajoso adquirir ou negociar Bitcoin, especialmente numa visão de longo prazo, isto é, numa perspectiva  holding.  As desvantagens podem ser minimizadas com efetiva gestão de riscos e conhecimento do ativo, o qual têm uma larga avenida de crescimento em termos de valorização pela frente.

Clique no sininho vermelho no canto inferior direito do blog para receber atualizações.

Sobre o Autor

Fernando Pinheiro administrator

Fernando Pinheiro é formado em Administração de Empresas com especialização em Gestão Empresarial. Professor convidado em várias Universidades do Noroeste e Norte do Paraná, montou este blogue sobre Finanças e Investimentos para ajudar a você se tornar mais próspero.

Deixe uma resposta